sábado, 28 de fevereiro de 2009

Agarra-te à minha asa



Agarra-te à minha asa



Num pano azul brilhante, elevo as minhas asas brancas de penas num sopro de vento maior que o meu tamanho…

Flutuo num mar de ar onde estendo a minha aba a ti…

Agarra-a e parte comigo para todo o sempre!

Seguro o raio lunar e o solar no brilho das minhas duas íris…

Todas as cores dos raios de luz fundem-se no brilho claro em que me torno ao romper da aurora…

Sou todas as manhãs prolongadas num manto de luz…

Estou em todos os nevoeiros à espera de uma nova abertura de calor…

Encontro-me em cada esquina, na espera tardia tua.

E sou apenas mais um filho e uma filha que te amam!

Sem demora tua.


A incapacidade de amar mais longe...


Ao que chamamos amor, será?


Correm nos lábios palavras, que apenas soam bem, actos que apenas se repetem por norma, mas isso será amor, ou mais uma obrigação a qual nós nos propomos fazer sempre que assim manda a tradição, a futilidade, etc...
Quantos ramos de rosas vermelhas são dados sem qualquer sinal de valor, apenas porque o dia 14 de Fevereiro marca a data correcta para tal prenda, ou uma prenda que se dá porque o outro irá dar, afinal são 2 meses de namoro, de conhecimento, do que quer que seja. Quantos casais vivem sem se conhecer, ou interessar pelo mundo do outro?
Ou olho e vejo muitos milhares deles perdidos, numa hipotética relação que nada tem. Sim no final do dia, estão ambos lá, nao em espirito, mas ambos lá entre os lençois muitos virados para cada lado, sem haver sequer tempo para um beijo de boas noites, ou então é dado o beijo à presa, como se a almofada tivesse hora certa de deposito de cabeça.
Constantemente oiço alguém dizer a palavra Amor, e deparo-me com algo que a mim me é estranho.
Então chamo amor à mesma pessoa que traiu?
Chamo amor, àquele ser que de vez enquando beijo?
Falo em amor, quando apenas me serve de objecto?
Por vezes é amor a habituação de ter alguém, mas se desse trocava tal amor por outro amor...

Então tudo isto é amor?


NÂO.
Não acredito em tais relações, digam-me lá o que disserem. Se amas, não colocas sequer na mente coisas como: traição, ego, ciume, o eu, etc...
Aceitas partilhar algo, aceitas os defeitos e vives com eles, queres saber quem é o ser ao teu lado, e em que se transforma no decorrer dos dias, queres ter o teu espaço e dar espaço ao outro, queres ser um tudo, e que o outro o seja para ti, não colocas sequer a hipotese de um outro na tua vida, porque já tens tudo ali.
Amor não é apenas uma palavra bonita para embelezar uns lábios secos, serve para algo mais.
Tenho pena que hoje não se saiba o que é.
Também confesso não saber ao certo se sei o que é, ou se estou certa na forma de o ver, sei porém que já AMEI, com tudo o que é bom no amar e tudo o que é mau também, e depois no final apesar de tudo o luto que esse amar devolveu ao meu ser, não o trocaria por nada no Mundo, porque foi exactamente esse que me matou por dentro, que também me ensinou a decifrar o segredo.

Não brinquem ao amar sem saber... Rendam-se a beleza de conhecer e respeitar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Bem atenta

Reparo em tudo, mesmo no que pensas não estar atenta. Imaginas um ser que no fundo não sou, mas se o assim queres, será apenas isso que verás.
Observo-te de longe, nunca darás conta de como te conheço mesmo à distancia...
Sem saber, dás passos errados, tomo nota de todos eles.
Saberás tu decifrar-te da forma como já te decifro?
De ti nada quero, nem sonho ter. O real é bem mais completo.
Atenta a tudo.
Apenas irás onde eu quero.
E tu, a cada erro perdes.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

सेतिमा Arte

oscars

No fundo o que singnifica para nós? Absolutamente nada!
Faz-me pensar muito nas entregas dos Globos de Ouro da Sic, onde a maioria dos candidatos senão "todos" e aqui já posso estar a abusar da minha sorte, são pessoas que estão ou estiveram na mesma casa, assim são os Oscars, poucos são os que não são dos USA, agora eu questiono, se são os prémios de eleição não deveriam ser mais Mundiais? Ou seja, porque não ver aquilo que de melhor se faz em termos de representação? Porque não promover talento, em vez de conhecimento público, lamento que quem ganhe por vezes não seja quem maior talento tem.
Há realmente grandes talentos que se vão esquecendo em prol de algo chamado mediatismo, lamento-o. Acho precioso quando alguém que se sentou naquelas cadeiras durante largos anos a construir uma carreira de sucessos, ganha já em idade avançada um prémio como este, não se trata de um golpe de sorte, de um papel bem construido e daí facilmente se obtem um lucro, mas sim de anos de trabalho que chegam ao reconhecimento pelo mérito, pela grandiosidade do que é o respeito de representar.
Sou bastante "chata", céptica, teimosa, enfim maçadora, quando se trata de talento, tem sempre que ser algo sem "ajudas" mas sim algo que se vai adquirindo ou se nasce com. Ou seja, ter um papel magnifico, e brilhar com ele, não me faz admirar um actor, pois o seu trabalho foi facilitado; ter um papel complicado de pegar e fazer com que ele se torne em algo poderoso isso sim fascina-me e dou o maior dos valores.
Um bom guião faz passos para uma meta de sucesso. Por vezes está tudo lá. As simples palavras bem conjugadas, depois o bom gosto nas musicas e a subtileza de como jogar com tudo isso faz um sonho ganhar um oscar...

Apesar de tudo o que descrevo em cima, confesso que sempre me fascinaram os Oscars, em jovem via todos, gravava-os ficava aquelas horas ali de olhos abertos, na expectativa de ganhar um, claro que um quase que me veio parar às mãos, não fosse a Julia Roberts mo ter tirado das mãos, sim em sonhos também eu tive um...:-)

Não é o glamour de tudo aquilo, mas a concretização de uma meta.

तेओरिअस दा Conspiraçãओ (ओ पेरिगो दे उमा मनते)

Teoria I
(Caos ou Mera Ilusão?)


A toda a hora somos contaminados de um virus chamado: propaganda de algo que pode ser apenas o que um humano pensa ser real.
O erro está em darmos ouvidos ao que escolhemos ser importante.
Se pelo menos metade da população Mundial pensasse antes de carregar no "Power" de um televisor (ou se perferirem LCD), um rádio, etc (qualquer que seja a forma de energia que escolhermos ao sintonizar tais aparatos) era provavel que nesse periodo de reflexão se fizesse algo ao qual chamarei de "Eco de Luz" e com isso menos desgraças acontecessem ou fossem evitadas.
Podem pensar que sou louca, mas será que serei assim tão louca no fundo?
Vejamos, se conseguissemos colocar um teste simples mas complexo em causa, contar o número de noticias positivas dadas por tais aparelhos a nós seres humanos, e o número de noticias menos boas, e de maior terror; penso que não será necessário dizer que as negativas estariam em maior número. E isto causa o quê? Causa no ser humano desconfiança, desagrado, medo, pavor, terror, armas de auto-defesa ou ataque, cria o racismo, a xenofobia, e tantas outras coisas que no fundo geram Caos, e tudo começa no mental passando depois a ter a sua acção no plano mais material, mais fisico, criamos a cada dia uma bola de neve que se torna gigantesca, assim nasce tudo o que chamamos crise.
Agora vejamos:
será que o Mundo está assim tão perdido?
será que realmente aquilo que a maioria dos jornalistas, politicos, pessoas de poder e com poder apregoam é o real?
Talvez... Ou talvez não!
Sinto que estamos num lapso, cansados, esgotados, mas também sinto que tudo não passa de um golpe qualquer que nos leva a crer em algo que pode estar a conspirar contra nós próprios.
Será que a extinção da raça humana, será levada a cabo por nós mesmos, sem ser necessário a existência de algo mais drástico que não o próprio ser humano?
Cada vez há mais gangs, crianças com arma em punho, menos lealdade, não será tudo isto um metodo satanico para dar cabo de nós?
E se for, continuaremos a dizer e fazer acções que alimentem a sombra?
Quantas noticias alarmantes são deitadas de forma a destabilizar, quanto sensacionalismo existe em cada palavra escrita sem regra, tacto, ou cuidado.
Tenham cuidado com as palavras, com o que delas pode provir e com o que delas se pode destruir; a Paz De Um Mundo num Caos que pode nem existir.
PENSEM... E PENSEM POR VÓS E NÃO POR HIPOTETICAS CRISES.
A MAIOR CRISE ESTÁ NO SER HUMANO QUE NÃO MEDE OS ACTOS.




PS: se forem na estrada e se depararem com um acidente, por exemplo, em vez de olharem e perderem o norte do vosso veiculo, lembrem-se de rezar por os que no acidente sofreram as perdas, sejam elas quais forem. Não alimentem mais caos!
Se virem um acidente (compreendo que não parem, mas...) liguem para o 112 e peçam auxilio para esse sinistro. Ajudem mesmo que pareça ser de longe, não virem a cara.
Quando paras em segunda fila, tem atenção alguém pode precisar de passar com uma ambulancia, e a sua vida depender do espaço que ocupas. Tem em conta a vida dos outros mesmo que a tua não a tenhas... Quando vais numa passadeira não penses que não tens deveres, pois também os tens, olha bem, vê se tu e o automobilista estão ambos em segurança, não penses só em atravessar sem olhar, ou ter cuidado, por vezes também erras e passas sem pensar, podes destruir a tua e a vida de outrem...
Se tiveres que chorar quando dizes que amas, fa-lo. É um bem necessário.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Sound




Hoje correria para esses teus braços, e deixava-me ir...
Até me encontrar dentro de ti.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Continued...Lá No Palácio de Cristais (Ilusions II)


Nenhum dos dois pronunciava qualquer palavra… Ali estávamos duas almas e mais uma, que falava pelas três! O chá que outrora estivera quente, ia arrefecendo a cada palavra soletrada pela Sr.ª Omisha, os dois, nada dizíamos, anuíamos por vezes, baixávamos a cabeça, e fixávamo-nos de uma forma estranha, sem pudor, sem qualquer tentativa para desviar o olhar, fitávamos como animais que se estão a medir para um combate, como inimigos que medem armas… Mas quer no meu, quer no dele nada de rancor havia, só persistência, curiosidade talvez, um misto de insegurança com conhecimento de causas…
A Sr.ª Omisha, falava e falava, se fosse em uma outra altura estaria a sorrir para todas aquelas palavras que dizia com a jovialidade de uma criança sábia, mas não naquele momento, nem a ouvia, sabia que falava pelos movimentos do corpo, porém a minha atenção estava num outro alguém… Sentia o calor das faces, um formigueiro nos lábios, e sentia o olhar inquietante do homem na minha frente, olhos enormes de uma cor estranhamente indecifrável, não era azul, nem verde, era intenso, como um lago da Escócia, profundo, brilhante, inquietante, misterioso, feroz e ao mesmo tempo com um doçura, eram os olhos que me detinham mais que tudo, era a forma de olhar, não era a cor, nem o formato, nem as pestanas que rodeavam todo aquele lago, nem as sobrancelhas que lhe davam a forma de um felix, era o que deles saia, e o que deles provinha, era capaz de jurar que aquele olhar tinha séculos de existência, tinha um alma antiga, uma sabedoria de ancião, e isso mantinha-me ali fascinada, sabia perfeitamente quem era aquele ser que no reflexo do olhar se mostrava a mim cada vez mais claro, e nítido ser. Já não era necessário perguntar à Sr.ª Omisha que sonho tinha sido o meu, talvez já nada fosse necessário saber, pois no silencio da mente as respostas apareciam uma e outra…
Não sabia as coisas básicas o nome, que possivelmente a Sr.ª Omisha teria mencionado quando nos apresentou logo a seguir à minha entrada na casa dela, mas não me recordava de nada, a não ser de caminhar sem saber qual o pé que colocaria primeiro para dar um primeiro passo, mas lá fui colocando um e outro, até chegarmos todos à sala, e sentarmo-nos cada um no seu sofá bordeou com um naprom de renda a cobrir o encosto, já com os seus braços gastos das afiadinhas que o gato preto de olhos azuis fazia sempre que precisava de manicure _ Rodolfo ( o nome do gato), normalmente quando me sentia aproximar da casa, colocavas e a ronronar à Sr.ª Omisha, miava, e só quando estava muito frio não ia até a porta, até o som da campainha soar pela casa toda, sabia sempre quando eu vinha por perto, dizia a Sr.ª Omisha “Menina, o Rodolfo já te sentia, estava à tua espera!”; fazia-lhe umas festas enquanto ele caminhava ao meu lado até se deitar aos meus pés quando me sentava no tal sofá bordeou com naprom branco de renda, ficava ali horas sem fim, dependendo das conversas que podiam levar horas, lembro-me que certa noite, só paramos a conversa interminável às 5 da manhã, e já não fui para o Palácio dos Cristais, nessa noite ficara no quarto no neto da Sr.ª Omisha, que se vivia longe, mas por vezes regressava para ver a avó. Ali também o rosto tivera a atormentar-me o espírito…
Voltando ao presente… O gato não viera desta vez. Para romper o silencio, aclarei a voz e perguntei pelo Rodolfo, vi um sorriso sair do rosto do homem, vi como as suas enormes pestanas pretas se fechavam e abriam com a suavidade de uma pena, vi como uma covinha se formava no sorriso que os lábios esboçavam, vi depois o seu olhar meigo a olhar o meu de espanto.
“Este no paraíso dele!”
Olhei para ele ainda sem entender… Devo ter feito uma cara tão estranha que a Sr.ª Omisha interveio logo _ “Não, não minha menina! Ele está bem, está no outro sétimo céu dele! No quarto do meu neto, também me admiro não te ter vindo ver, aquele gato está a ficar velho, sabes?” Aliviada sorri para a Sr.ª Omisha. Os olhos da Escócia olhavam-me, parecia que me despia não só o corpo como a alma, estava a ser analisada por completo, sentia-o, e nunca gostara de tal facto, ninguém me lia, ninguém podia, mas ele estava a faze-lo, olhei-o de frente como sempre fazia para que desistissem a sequer traçar perfil meu, olhei-o como uma pantera ao ataque, em sinal de desafio. Em vez de desviar o olhar, tornou a sorrir, colocou as mão por baixo do seu queixo, os cotovelos nas suas pernas e arqueou o corpo para a frente e fitou-me de frente, estava a testar mais uma vez… Fiz o mesmo, repeti cada gesto cada movimento, cada certeza… Ao ver tal quadro a Sr.ª Omisha soltou uma risada _ “Óh meninos, então! Nenhum ganhará essa batalha.!”_ ao mesmo tempo como se algum de nós tivesse combinado com o outro, olhámos a Sr.ª Omisha. _”Sim… Nada ganharam assim, e sabem disso, no vosso intimo sabem-no.” Olhamo-nos agora de uma forma mais descontraída sem a tensão dos minutos anteriores, ambos na esperança que algum soubesse do que falava a Sr.ª Omisha, encolhi os ombros em sinal de desconhecimento, e ele com um sorriso de um velho amigo encolhe também os seus fazendo também um gesto de que a Sr.ª Omisha estaria louca.
“Meu menino, sou velha sei, mas não sou louca. Ai se fosses mais novo eu dizia-te. Olha isto hei! Um pirralho que eu mesma criei a mangar comigo! Não querem lá ver isto!”
Olhou-nos aos dois depois com um olhar tão sábio e ao mesmo tempo sinistro, a sua voz engrossara, não era só a Sr.ª Omisha a falar, mas algo mais que ela própria: “Vocês conhecem-se de há muitos mil anos atrás, agora a vossa missão é: Lembrarem-se…” Ficou a olhar para nós de forma séria durante uma eternidade de tempo, uns 15 minutos que se transformavam na mais longa espera, queria mais informação, queria saber o que ela tão lá no fundo guardava, agora sabia que o seu convite não tinha sido ao acaso, sabia que cada passo por ela feito tinham sido premeditados, ela sempre soubera o que eu estava ali no palácio de Cristais, não eram férias, nada de descanso, o seu convite era mais uma resposta talvez a duvidas dela mesma…
Tremia de pensar no que poderia ser. Sabia que o que quer que fosse me ligava ali ao palácio e ao neto dela. Não sei o que se passou, apenas que acordei já deitada no Palácio de Cristais, as estrelas já se reflectiam no tecto, não sabia ao certo como tinha ido ali parar, quem me colocara ali, seria tudo um sonho? Estaria louca? A minha cabeça rodopiava, as estrelas andavam mais lentas, mas mesmo assim, agitadas para o normal… Um barulho vinha do fundo do Palácio, mas nem forças tinha para me levantar, quem quer que fosse faria o que quisesse comigo, ali deitada ou não, não me iria levantar de nada me valeria.
“Já acordas-te!” Ecoava no ar… “Sim, respondi ao eco. E devo estar louca, oiço vozes.” Um som magnifico, suave de uma gargalhada ecoou ao meu próprio eco. “Não, não estás louca, mas vais ficar em breve…” Tremi seguidamente ao arrepio que me percorria o corpo todo. “Não ficarei.” Ecoei. “Sabes que isso nunca será verdade.” Novo eco.
Em desespero enterrei o rosto na almofada e chorei as lágrimas que prendia desde que ali chegara, chorei até que uns braços fortes me abraçavam, torturando-me a pele e o sentido da vida. Era quente aquele abraço, quente e confortável, mas ao mesmo tempo não sei de onde vinha, nem porque motivo estava ali.
“Não chores, vida. Por favor, não chores. Cheguei!”
Não queria saber de quem chegava, queria saber apenas o que se passava ali, se estavam todos doidos, se eu mesma estava doida, se por algum motivo os ET’s me tinham abduzido e feito experiencias, se eu mesma era uma experiencia, lembrei-me do filme com o Jim Carrey no qual a sua vida é passada em directo e orquestrada por um realizador que teve como infeliz ideia controlar um ser humano, seria eu também isso? Chorava cada vez mais, os afagos não me ajudavam, as festas na cabeça também não, soltavam-se cada vez mais lágrimas, até que as mesmas mãos que penteavam com calma os cabelos finos embaraçados, tentavam a todo o custo tirar-me os mesmos do rosto, limpar as lágrimas e sem mais depositar um beijo suave nos meus lábios, segurava-me o rosto entre os dedos longos, e olhava-me, em resposta abria os meus olhos em sinal de espanto. E mais um beijo caia do céu. Possivelmente estava louca, mas haviam também estrelas a cair ao mesmo tempo, caiam mesmo. “Sim, chovem estrelas hoje. Até elas te vêm beijar. Finalmente!”
“Desculpe, nada entendo!”
Abraçou-me, apertou-me contra o peito largo, impossível deixar de sentir o aroma da pele, daquele homem, era quase perfeito, faltava o quase…
“Espero-te desde os meus sete anos. Sabias?”
“Desculpa?”
“Sim, estou à tua espera desde os meus sete anos. À tua espera.”
“De mim?”
“Sim.”
“Mas… Nem sei quem és.”
“Eu e o Rodolfo. Ahahahah, aquele gato ama-te também não é?”
“Sim…”
Sorriu, Olhou-me nos olhos de uma forma tão intensa que uma lágrima grossa rolou pela face dele e uma outra pela minha. Não entendia nada, mas havia ali um sofrimento que não era meu, nem possivelmente dele, mas que o sentíamos intensamente por dentro, como se de alguma forma fosse realmente nossa, NOSSA aquela dor.
“Enquanto dormias a minha avó contou-me tudo.”
“Ahhhh…”
Um ahhhh mudo saia dos meus lábios, estava mesmo louca, assim que abrisse os olhos iria fazer as malas e sair daquela aldeia era uma promessa pessoal.
“Sonho-te desde pequeno. Nunca pensei que existisses, esperava por isso, mas… Com a idade as tuas atenções focam-se em outras prioridades que não os sonhos. Não esqueci a imagem que tinha, mas não te procurei mais. Se não fosse a minha querida avó nunca mais teria pensado no assunto. Ou talvez tivesse o destino se preocupado por mim, e colocaria frente a frente contigo.” Sorriu em direcção ao meu rosto, que se encontrava bem próximo do dele, abri os lábios, mas sem nada para dizer fechei-os da mesma forma…
“Estou cansado, querida!”
Depositou um beijo na minha testa, mesmo sem pedir, aninhou-se ao meu corpo, ficou ali a partilhar a chuva de estrelas, e depois fez-se noite para ambos… Dormíamos pesadamente pela noite e madrugada…

Frases Soltas Na Tela

Porque amar-te é viver-te a cada momento da Vida. É saber-te bem e querer-te melhor ainda!



Não sou mais do que uma linha torta que se espreguiça para tocar na tua...



Fecho os olhos, abro o coração e faz-se dia.



Amo por já não saber odiar.



Tenho assas, das quais penas não se veêm, mas com elas voou até ti todos os dias...


Sinto a voz dos anjos a cada nota de música. E com isso sei que estou perto de um paraíso.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ilusão (III)


Vivo na ilusão de um dia ser amada...

Vejo-a desvanecer a cada golpe...

Perco qualquer restia de esperança a cada erro mal calculado...

Morre em mim um pouco mais de ser...

E sigo, por onde quer que o destinho me invada, para que guerra for...

Tento caminhar, sangrando por dentro...

Olho tudo alterado...

E perco-me...

Só.

Confesso,

ter dias em que em nada acredito...

Rouca força de lamento sem o seu grito.

Morre em mim a esperança.

Que me colha o chão.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Lá... No Palácio dos Cristais (Ilusions II)



A luz da Lua desenhava a minha pele, como se eu fosse uma tela onde o desenho era criado pelos astros. Entravam de todos os lados as tintas com as quais faria a sua obra em mim. Apenas semicerrava os olhos e deixava que me tomasse sua pela noite… Conseguia ouvir o murmúrio suava do ar que nos vidros tocava uma melodia divina, era como se pequenas conchas tocassem no interior do meu castelo, a luzes que vinham da mão da Lua e das Estrelas espreitavam por cada pedaço de cristal, criando uma dança mágica de brilho e cor, eu transformava-me aos poucos num vitral único. Passava horas assim, a criar com a mente momentos de uma harmonia sem fim… Ora era uma tela, ou uma poesia, uma escultura nas manhas em que os meus contornos em cada pedaço daquele céu se manifestava e se reproduzia em mil e uma mais figuras minhas; ou era uma sinfonia, ali nenhuma obra ficava inacabada, ninguém perdia a orelha, ninguém enlouquecia entre tais miragens, era só eu a Lua e as Estrelas, por vezes a minha voz soltava o grito e acompanhava o som do ar que viajava de lado a lado; nos dias de tempestade porém, o medo de algum se quebrar e me quebrar nascia, mas não nunca aconteceu. Diziam os habitantes da terra, que ali estava segura, em cada canto de cristal estava uma fada, no centro de cada quadrado, triangulo, rectângulo ou uma outra forma geométrica estava um anjo, em cada cruzamento de madeira um pentagrama circunferencial, em cada porta ou janela desenhado a ouro o número sete, e depois ainda havia outra coisa, toda a estrutura era feita na forma de kabalah, em 200 anos nunca nada deixara cair sequer um dos mais finos vidrinhos que me rodeavam dia e noite, nunca! Confiava assim na profecia das palavras… Não estava ali senão para Amar o Mundo, se é verdade que todas as estrelas do céu estão em todo o lado, então amando cada astro amava também cada ser humano, o Sol, a Lua, e depois tinha sempre algo mais, a cada saída daquele museu, tinha uma longa e vasta passadeira feita de ervas macias, e tinha a Terra a beijar-me os pés, o chilrear os pássaros a darem-me os bons dias todas as manhãs, tinha a fruta das arvores, os troncos grossos aos quais me abraçava constantemente, tinha assim as mais puras formas da palavra AMOR. Estava ali por um motivo, mas esse nunca o desvendava, sabia o que queria, queria algo indecifrável, talvez quisesse apenas aquele estado de alma, talvez tivesse um plano, talvez…
Uma noite, distraidamente, adormeci ali com mais uma criação cósmica como lhes chamava. Acordei de um sonho estranho, havia um rosto quase colado ao meu, um rosto que nunca tinha visto, uma presença já sentida em tempos, quando ainda estava longe do castelo de cristais, desta vez aquele rosto tocava já o meu, de uma forma tão definida, que me assustou como se um pesadelo tivesse por ali entrado. Assim como nos piores sonhos que se sonham acordei com o coração a palpitar num compasso de angustia, uma agitação quase doentia, uma vontade maior que o meu próprio tamanho, uma vontade tão grande de algo que a própria vontade não sabia dizer o que era que queria… Um banho rápido, um beber de água fresca, um olhar no espelho, e ver o mesmo rosto reflectir-se perante o meu, agora já não dormia ou sonhava, era algo nitidamente ilusório, mas capaz de me manter assim num estado estranho onde o racional não existia. Não dormi mais… Tinha que falar com alguém da aldeia, que me desse a entender o que se passava, várias historias haviam do local, mas eu tinha visto bem fora do sonho, podia ser sugestão sim, mas tinha que sair um pouco do Mundo onde os cristais tomam muitas formas…
A imagem tornou-se real, assim que a porta da senhora Omisha se abriu! Era o mesmo rosto, o mesmo rosto que abria a porta à qual eu mesma tinha tocado esperando encontrar um outro alguém que não aquele. Também o rosto mostrou o mesmo que penso ter o meu mostrado, como se ambos os rostos já tivessem algures se encontrado. Estranhamente não éramos estranhos, nem tão pouco conhecidos, mas conhecíamo-nos. Ainda nos tentou apresentar a senhora Omisha, mas como se apresentam duas almas que se conhecem melhor que qualquer outra pessoa? Como se apresentam reflexos do mesmo cristal? Como se apresenta a Lua ao Sol? A Onda ao Mar? A Terra às Raízes? Como se apresentam a Noite e o Dia? Se tudo isto são reflexos um do outro, se todos eles se tocam, se mesmo sendo opostos se alimentam do mesmo e se conjugam… Era assim que me sentia ali perante o estranho conhecido.

To Be Continued…

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Romance... Luís Costa Pires "ao teu lado"


"AO TEU LADO"


Foto: 1ª Apresentação do livro em Cascais_ 2008
Luís Costa Pires e Ricardo Carriço


14 de Fevereiro pelas 16:00 horas

Livraria Barata
Avenida de Roma, nº11A
1049-047 Lisboa
Telefone: +351 21 842 83 50
Fax: +351 21 842 83 66
E-Mail: barata@livrariabarata.pt


Luís Costa Pires, fará pela segunda vez a apresentação da sua mais recente obra "AO TEU LADO". Um romance (que li em três dias, se não estou em erro) e pelo qual aguardei impaciente (como sempre). Possui um tema sensivel, e tratado por tantos escritores, pintores, etc etc etc... que é o AMOR, e toda a dinâmica que este pode ou não assumir, um amor que não é fácil, que encontra alguns contratempos, um amor que coloca alguns sentimentos em causa, lembro-me de o ler e chorar, de forma complusiva, recordo também que muitas foram as vezes que tive que parar tal leitura, para respirar fundo, e tornar a voltar ao texto e seguir as personagens. Tem um lado erótico, tem um lado sensivel, artistico, tem pequenos detalhes _ que aconselho desde já a ler com atenção, detalhes que enfatizam a paixão das personagens. Quase todas elas evoluiem no decorrer da trama.
Aconselho a leitura até mesmo aos que não gostem de ler romances ou simplesmente não gostem de ler...
O Luís já tem outras obras publicadas, algumas delas confesso que dificeis de encontrar, mas como a persistencia é uma das minhas qualidades um dia sei que as acho a todas, com capa e tudo. "A RAINHA DE COPAS", "MANDRÁGORA", "DEPOIS DA NOITE" (estou a ler e a adorar fascinante e pessoalmente arrepiante),"A DESCONSTRUÇÃO DA ALMA", "ACORDA-ME" textos adaptados a teatro, para além das intervenções que faz em jornais e revistas.
É um jovem com uma mente "brilhante", não só pela memória como pela forma como todo o seu pensamento é articulado, para além de tudo isto mantém um interior digno de ser conhecido. Espero um dia ver tal talento reconhecido a nivel Mundial, e bem... que consiga mudar alguma parte do Mundo que se perde sem dar-mos conta. E já agora um Grammy...:-)ou dois ... pensando bem o número três é bem mais gracioso.
Quem queira descobrir um pouco mais: http://depoisdanoite.blogspot.com/

Pelo que li falar-se-á de amor na apresentação, não fosse o livro ser sobre o assunto, e ainda mais sendo o dia 14 o dia dos namorados. Do que conheço vai ser uma conversa agradavel, uma vez que para além da escrita o mesmo possui uma capacidade de palavra enorme, aos que forem aproveitem.

Da primeira apresentação do mesmo livro em Cascais, Luís contou com a presença dos amigos, destaco: Ricardo Carriço, Deolinda Bernardo. Uma vez que o próprio um dia me falou da voz desta senhora, irei colocar algo que encontrei mais tarde e amei.
Enjoy...

Nota ao Autor: Força...
E mais uma vez acredita.



Deolinda Bernardo em acapela
podem encontrar tal fadista no www.myspace.com

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"Wuthering Heights" ou "O Monte dos Vendavais"


Apaixonante...
Há muito que não me entregava assim a um filme.
Desde o texto com frases cheias de conotações e forma própria de falar, porque acredito que o amor fala em poesia e com uma prosa diferente do "normal", senti cada frase no peito, cada gesto no sentimento.
Fico-me a pensar se ainda existe no tempo que decorre alguém capaz de chegar até a este cume, a este magnifico saber de amar, olho em volta e vejo que não. Mas poderei estar errada.

Por momentos senti-me lá, dentro da tela, por aquele monte, onde o vento fazia soar a sua voz, onde o sol se escondia... Talvez por ter crescido perto também de um monte, e de um rio, me sinta tão próxima de tudo isto, ou talves tenham sido os diversos filmes ainda a preto e branco, que me tornaram tão sensivel a questões de afectos, ou então deve-se realmente à minha Lua colocada num local erradamente perigoso, sinceramente não sei a resposta. Mas dou comigo a voar para tramas assim. O fácil deixa de ser belo, a dualidade entre amar e morrer amando sempre me seduziu mais do que o deixar e entregar só porque, enfim, convém.

"Se a vida é uma fragilidade, mais frágil é o coração que sente, porque mais fácil se quebra e parte." (CR)


e adorava colocar algumas passagens do texto aqui... mas uma vez que este computador tem uma net mais lenta que um caracol coxo, ficará para um outro dia.

Amem, mas amem bem!

O descobrir da alma

Os dias são à noite
Madredeus




Os dias são à noite
E as noites são de dia

Se acordo
Contigo
A mim abraçado
O sono perdido
Não deixa cuidado

Os dias são à noite
E as noites são de dia

Se acordo
Contigo
Se estou a teu lado
É doce o caminho
Deste meu fado

Os dias são à noite
E as noites são de dia


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

ILusions... (one way)


As horas passavam, o som do relógio de cucu pendurado na parede soava por toda a habitação, a cada segundo, que se movia o ponteiro, o meu ser tremia, com a expetativa que no próximo ecoar fosse também a porta ranger, e trazer-te.
Mas não!
Era penosamente demorada a espera, temia pelo que não sabia, temia por patéticos filmes que a mente ia fabricando no escuro, e temia mais ainda se algum deles se tornasse real.
Eram tudo sons, que se transformavam. E tu não vinhas...
Cansada, a noite colhe-me no sono... Tudo desaparece...
E o toque da tua pele acorda a minha.
Já não me assuta o ruído de toda a fantasia.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Colagem sobre corpos



Envolva-me a tua subtileza
Numa colagem muda de sentidos
O teu ser do meu não fuja
Fundam-se os corpos a cada milimetro
Numa dança conjunta
Rasguem-se pedaços passados
Funda-se cada peça do pano num só
Juntem-se os traços das mãos vagas
Para nelas se preencher o vazio
Com um pedaço teu e outro meu
Limpem-se borões que de arte nada falem
Quebrem-se mestrias já trespassadas
Que a goma que é tua me cobra o colo da vida
E a minha te mantenha eternamente
Juntem-se as obras
Montem-se cavaletes, preparados para numa tela pegarem
E nessa mesma, em branco, se desenhe o meu e o teu rosto
ambos colados, num gesso do mais puro branco caiado
Que cada gota de vermelho derramada
Sejam mostras de desejos
E nunca mágoas
Que cada amarelo, signifique luz, sol
E nunca um infinito dia que nunca acaba
Que a cada verde, azul, lilás
Seja o reflexo do toque de ambos num só
Colagem de corpos
onde tudo se funde
Cola o teu ser ao meu
Numa tela sem fundo
Onde nenhum pedaço fica ao acaso
Cola esse teu mundo
a um outro que não é mais do que teu.

Pequeno Tributo a: Patrick Sawyze



(espero que funcione)
Quem não se lembra do famoso Dirty Dancing, onde vemos este magnifico bailarino em sua plena demonstração de talento? Se para muitos "Grease" marcou uma geração, para possivelmente a maioria das pessoas com os seus 30 anos neste momento (anos noventa finais de oitenta), foram marcadas da mesma forma que eu, por Patrick e a sua companheira de equipa Jennifer Grey (Flashdance, videoclips de bandas rock algures por essa net encontramos a magnifica Jen a dançar), por sua vez Patrick continuou com filmes e filmes... "Ghost!" ao lado de Demin Moore, um outro que não esqueço o final, mas o nome sempre se desvanece, não posso esquecer Norte e Sul, companhia de menina lá pelos meus sete, oito anos adorava ver, muito novinho muito fresco, mas para mim já com algo cativante.

Em 1994, fascinou-me na sua magnifica apresentação do tema de Whitney Houston, He's all the man that i need, ao lado da sua esposa, de tal forma que a cassete está guardada religiosamente em VHS num recanto de uma estante com tantas outras cassetes que marcaram uma época, uma adolescência, uma infância, fica o registo de uma grande música com a voz de Whitney Houston, e o magnifico desempenho de Patrick e sua esposa Lisa Niemi, foi para mim uma das melhores performances dos MTV MOVIE AWARDS.

Hoje marco-a aqui... Para que nunca mais me fuja...

E se não é isto que todas procuram então serei eu a única louca neste mundo. Mas estarei eu feliz com tal escolha e busca.

http://www.youtube.com/watch?v=7Y0TWOttkVo
fica aqui o link caso o video não abra.


E já agora:

"All the man that I need"

I used to cry myself to sleep at night
But that was all before he came
I thought love had to hurt to turn out right
But now he's here--it's not the same
It's not the same

He fills me up, he gives me love
More love than I've ever seen
He's all I've got, he's all I've got in this world
But he's all the man that I need

And in the morning, when I kiss his eyes
He takes me down and rocks me slow
And in the evening, when the moon is high
He holds me close and won't let go
He won't let go

Mais algo fantástico...

espero que funcione

Será a vida uma dança, muitas das vezes esquecida de melodia?







{he wont let go.... :-)
or maybe he will!}